Não é (só) por 2,5%!

Jornal

A greve que começou dia 16 de maio tem surpreendido pela força que provém da expressiva adesão e mobilização da categoria, que rompeu com o clima de medo imposto pela Empresa e fez sua voz ser ouvida.

Excetuando-se os serviços essenciais e uma parte da chefia (que tem usado a força policial e judicial para impedir a manifestação dos funcionários.Já são mais de 20 dias furando oboicotemidiático, a intransigência da diretoria e a indiferença do governo.

Os abusos e absurdos que vemos do outro lado nada mais são do que a prova da força que temos juntos, pois por meio de movimentos como este que a categoria alcançou suas conquistas. E alcançou, principalmente, a tradição de não baixar a cabeça para desmandos de desgovernos diversos. Essa é a lição primordial que temos de levar deste momento.

Mas o contexto não é fácil! Não porque a Empresa esteja “no vermelho”, como a direção buscanos fazer acreditar. Aliás, bandeiras sem impacto financeiro nem sequer são debatidas! E se alguém nessa história está “no vermelho” e atingida em cheio pela crise (com inflação, tarifaço, queda de qualidade nos serviços públicos etc.) é a categoria!

O contexto é difícil, sobretudo por razões políticas.O bode expiatório da crise, como sempre, é a classe trabalhadora, incluindo o grosso do funcionalismo público. Os governos querem a todo custo diminuir o valor da força de trabalho, usando o suor de quem trabalha para pagar pela crise – assim como a Caesb fez com nosso retroativo milionário, usurpado para pagar dívidas assumidas pela direção da Empresa, e ameaça fazer de novo o mesmo!

O "novo" governo federal segue também essa tendência, sinalizando inclusive o fortalecimento das privatizações. E mesmo o GDF tendo melhorado sua condição fiscal, a ordem é bloquear as conquistas do funcionalismo público, até mesmo usando a Justiça e a violência policial como ocorreu com os professores no ano passado. Sem esquecer de que o mesmo GDF propôs duas vezes a venda das ações da Caesb.

Como o DIEESE afirma em recente relatório e tantos outros exemplos mostram na prática:"processos de privatização de empresas estatais serão acompanhados de prévio enxugamento dos quadros de pessoal visando à venda, bem como de perdas de direitos após a transferência para controladores privados, a exemplo do que ocorreu em larga escala no passado."

Essa é a política da direção da Caesb e por isso afirmamos: não é só por 2,5%! Precisamos pensar além do hoje, para que amanhã não caiamos em uma armadilha ainda maior!

play Abrir publicação

 SDS – Edifício Venâncio VI – Sobrelojas 12 a 15 - Fax: (61)3323-1196 – CEP: 70393-900 – Brasília-DF –  Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.  login