Não basta reivindicar. É preciso lutar!

Jornal

Muitos anos atrás, a categoria caesbiana lutou para criar uma entidade de classe, de luta e que fosse forte. Foi dessa luta que nasceu o Sindágua-DF. Com o passar dos anos, eleição após eleição, de direção presidencialista para diretoria colegiada, vitória da oposição depois de anos de militância, a sobrevivência a um racha na diretoria... com tudo isso e uma longa e bela história, essa categoria persistiu e conseguiu ser hoje o que é.

Depois de muitos anos de luta e sofrimento, temos hoje um Sindicato forte, de luta, classista, que não se vende e não se entrega. Um Sindicato que, acima de tudo, está na batalha para defender, junto com a categoria e com toda a classe trabalhadora, o saneamento público e de qualidade, uma Caesb técnica e não política. Uma Empresa onde os trabalhadores, sendo a peça principal da engrenagem, tenham voz ativa; que não sejam somente executores, mas que possam participar das decisões em qualquer nível, em qualquer âmbito da Companhia. Que o técnico prevaleça sobre o político.

Acreditando que estamos no caminho certo, convocamos toda a categoria – antigos e novos, chefes e não chefes, estudados e não estudados, operacionais e administrativos, homens e mulheres: venham com toda a sua disposição lutar mais uma vez para defender nossas conquistas e mostrar que somos uma categoria forte, de luta, e que sabemos exatamente o que queremos: FORA COMISSIONADOS, FORA TERCEIRIZAÇÃO, FORA EMPREITEIROS, FORA POLITICAGEM!

Lutamos por uma Caesb pública, por contratação, reajuste salarial, pelo retorno do que produzimos (PPR), pela manutenção do Acordo Coletivo, por uma Empresa forte e saudável, pois dela dependem nossas famílias e toda uma população.

Certos de que não basta reivindicar, mas também lutar muito, vamos juntos dar uma resposta ao descaso do governo, da direção da Empresa e da comissão de negociação, com uma das mais duras greves de todos os tempos.

De quem é o Acordo Coletivo de Trabalho?

O ACT não é só meu, nem é só seu. O ACT é de toda a categoria, que lutou, luta e lutará para mantê-lo, preservando as conquistas nele asseguradas e as que ainda virão.

Essa história de conquistas e de direitos cravada em papel e assinada entre trabalhadores e Empresa começou em 1985, quando ainda éramos associação. Sem o formato de Acordo Coletivo de Trabalho como conhecemos hoje, esse documento trazia curiosidades como o item TRANSPORTE, que garantia o seguinte: Os caminhões atualmente utilizados para o transporte de servidores da CAESB serão substituídos por ônibus em sua totalidade.

No entanto, foi quando nos tornamos Sindicato, em 21 de abril de 1987 – ou seja, há 27 anos – que assinamos nosso primeiro ACT. Naquele ano foi celebrado um acordo contendo 24 cláusulas. De lá pra cá, esta categoria não parou de lutar e avançar na conquista de direitos e de melhores condições de trabalho. O resultado disso é que atualmente, quase três décadas depois do primeiro acordo, nosso ACT contém nada menos que 51 cláusulas.

É importante lembrar que essa história vitoriosa só foi possível, única e exclusivamente, porque a categoria se uniu e bravamente lutou muito. Nada, absolutamente nada, foi concessão da Empresa.

Por isso, manter o Acordo Coletivo de Trabalho é o mínimo que devemos fazer nesta data-base.

‘Você sabe com quem tá falando?’

Para além da violência física e psicológica e do uso da estrutura do Estado burguês (Judiciário, Polícia e mídia), esta data-base tem sido marcada pela utilização de um jogo de palavras e informações mentirosas que visam ao domínio ideológico sobre os trabalhadores e as trabalhadoras, perseguidos insistentemente pela direção da Caesb/GDF.

Nunca antes na história da Caesb os diretores se reuniram tanto com os gestores. Não para discutir e solucionar os graves problemas que a Empresa enfrenta diariamente, mas para convencer a todos da necessidade de combater a entidade sindical que luta junto com os trabalhadores por uma Caesb pública e eficiente de verdade. São reuniões e mais reuniões em que a diretoria apresenta informações parciais e soluções contraditórias, ameaçando a todos com punições, deixando no ar o prenúncio de privatização e mercantilização da Empresa.

Não descolada da estratégia de ameaças caminha a estratégia de cansar a categoria com uma comissão “técnica” que repete o discurso da diretoria e do presidente. O discurso da impotência e da quebradeira. E a inversão da data-base. A Caesb desrespeitou e ignorou a pauta dos trabalhadores e das trabalhadoras e assumiu o papel de reivindicante. A comissão repete a mesma proposta de retirada de direitos com alterações insignificantes, mesmo com uma decisão judicial estabelecendo o ACT atual como ponto de partida da negociação.

Numa terceira via, a Caesb/GDF utiliza-se da estratégia de comunicação agressiva. São 22 informativos, enviados via e-mail, que visam, em sua essência, confundir a categoria e desmoralizar a direção do Sindágua.

Num ambiente conturbado como este, cabe a pergunta: ‘você sabe com quem tá falando?’ Pois bem, parece repetitivo, mas não custa lembrar quem são as pessoas que falam pela Caesb.

Comecemos pelo presidente Oto Silvério, um conhecido alpinista que já ocupou cargos em quase todos os governos: Cristovam, Roriz, Arruda e Agnelo. Foi Secretário de Obras, esteve pelo Metrô e, pasmem, foi diretor da Caenge – empreiteira que ainda hoje mantém contrato com a Caesb. Por onde passou, o presidente deixou um rastro de truculência e corrupção. Só para citar duas: cancelou auditorias no Metrô/DF (lembram-se dos roubos milionários denunciados pela mídia?) e foi condenado a pagar multa por esconder um passivo de mais de R$ 350 milhões na Novacap.

Passemos à comissão de negociação: todos os membros são ocupantes de função gratificada ou são comissionados; apresentam-se como “técnicos”, porém não têm a menor autonomia, uma vez que são indicados e obedecem “cabrestalmente” o que manda o presidente Oto. O mesmo se pode dizer dos diretores Valkenis, Jorge, Cristiano e Acylino, que não têm autonomia sequer para honrar o que negociam na ausência do presidente.

Por fim, mas não menos importantes, estão a Comunicação e o Jurídico, que são os “consultores” de Oto. O chefe do Jurídico, que tem o dever de defender a Caesb contra os interesses de terceiros, é um indicado político, Sr. Geraldo Magela. Os “informativos” da Caesb são escritos por José Carlos C. Barroso, comissionado.

Enfim, esses personagens ou não têm autonomia e responsabilidade ou defendem interesses alheios a uma empresa pública cuja missão é atender dignamente a população. O resultado desse jogo de interesses é a total esquizofrenia dos discursos e das atitudes por parte da direção da Companhia. Trabalhador e trabalhadora, não se deixe enganar!

Caesb mantém proposta que retira direitos

Na reunião realizada na tarde da última quarta-feira, dia 23, entre a “comissão de negociação” da Caesb, diretoria do Sindicato e a comissão de trabalhadores eleita em assembleia geral, a diretoria da Empresa mais uma vez simplesmente ignorou a Pauta de Reivindicações dos Trabalhadores e manteve a proposta apresentada antes e considerada insuficiente pela assembleia do dia 17.07.

A comissão também apresentou novo retrocesso – em relação à proposta alternativa de antecipação do reajuste inflacionário de 12 meses, em que garante que ninguém receberá menos que R$ 3.000,00, a comissão mencionou que este valor só poderá ser pago de forma parcelada, em três vezes. Lembramos que, de acordo com essa “alternativa”, o salário básico permaneceria congelado até abril de 2015.

“Proposta” da Caesb

REAJUSTE: aplicação do INPC (5,81%) condicionada à alteração na cláusula 3.ª e 23.ª.

ATENÇÃO: reposição de perdas é o mínimo que o patrão deve aos seus empregados. Curiosamente, os contratos com as empreiteiras têm reajuste anual pela inflação garantido por lei. E a nós, quem defende?

PPR: Redução de 50% do valor pago e aplicação das Metas do AMD (Acordo de Melhoria de Desempenho) do Ministério das Cidades, caso não haja consenso sobre as metas entre Caseb e Sindicato;

ATENÇÃO: Isso é retirada de direito. É uma forma de forçar os trabalhadores a aceitarem as metas da Empresa; por que a proposta não seria pagar o melhor valor de PPR já feito caso as metas não sejam definidas por consenso entre Empresa e Sindicato?

ANUÊNIO: Congela o valor recebido atualmente e o reajusta anualmente pelo INPC.

ATENÇÃO: Isso é retirada de direito. Deixa de existir o anuênio e entra no lugar uma espécie de gratificação.

TITULAÇÃO: Base de cálculo de, no máximo, R$ 5.000,00.

ATENÇÃO: Isso é retirada de direito. Se você pode receber essa gratificação tendo como base o seu salário e a Empresa propõe mudar, você perdeu esse direito e passará a ter outro, diga-se de passagem, inferior.

PCCS: Garante a alteração no Plano por consenso, com exceção da criação de um novo cargo e todas as mudanças necessárias para tal.

ATENÇÃO: Isso é retirada de direito. O que a Empresa quer é carta branca para fazer mudanças na estrutura do Plano que levou anos para existir e mais alguns para funcionar. O PCCS só se tornou realidade quando numa das grandes lutas, em data-base, os trabalhadores garantiram a participação na construção do Plano.

VIGÊNCIA DO ACT: Esse Acordo fica válido até 30 de abril de 2015.

ATENÇÃO: Isso é retirada de direito. Mas do que retirar o direito de validade do nosso ACT por dois anos, garantindo todos os benefícios nesse período, essa é uma proposta clara de quem não quer esperar muito para desferir novos ataques às nossas conquistas.

GDF: se teu passado te denuncia, o presente te condena...

Talvez os empregados mais novos não tenham o acúmulo de lutas para entender o que pretende o governo do PT nesta data-base. Os mais velhos, no entanto, lembram-se muito bem do que foi o governo Cristovam para os trabalhadores da Caesb: retirada de direitos, contratação com piso rebaixado, congelamento dos salários/benefícios, ameaça de demissão dos trabalhadores pós-88 e aprofundamento radical da terceirização. Os efeitos maléficos dessas ações, mesmo com toda a luta desta valente categoria, até hoje não foram completamente revertidos.

Para os que não se recordam ou não sabem, cabe perguntar: qual foi a estratégia adotada pela Caesb para a retirada da licença-prêmio? Vamos refrescar a memória: Na época, o discurso era de que a Empresa estava passando por uma dificuldade financeira; portanto, a proposta era retirar a licença-prêmio para dar 4% de reajuste. Argumentavam que isso não era retirar direito, mas sim manter e congelar a licença-prêmio para quem tinha e excluir desse benefício o empregado que fosse contratado a partir daquele momento.

Não é diferente agora: a Caesb “oferece” o INPC e “pede ajustes” no anuênio, na titulação e no SGPC. Esquizofrenicamente, diz que o trabalhador nada perderá. Ora, se não é para retirar e a comissão não tem autonomia para avançar, por que alterar o ACT? Nesse caso a história nos ajuda, mas, com certeza, “qualquer semelhança é mera coincidência”.

Greve será deflagrada a qualquer momento

O prazo de uma semana solicitado pela diretoria da Caesb para que pudesse melhorar a proposta expirou no dia 23.07; entretanto, a proposta já declarada como insuficiente na assembleia do dia 17.07 foi mantida e ainda houve retrocesso quanto ao pagamento do abono.

Dessa forma, seguindo a deliberação da assembleia, a greve será deflagrada. Todas as trabalhadoras e os trabalhadores devem permanecer atentos e mobilizados. Fiquem de olhos bem abertos e atentos aos boletins, e-mails, telefones e ao site do Sindicato.

Para atingirmos nosso objetivo, teremos que fazer uma greve bem organizada e com um salto de qualidade. Não custa lembrar que NÃO BASTA REIVINDICAR. É PRECISO LUTAR!

O lobo visitou a galinha

O lobo foi à galinha

E disse: precisamos nos conhecer bem

Conhecer bem, apreciar bem.

A galinha apreciou

A galinha foi com o lobo:

Por isso há tantas penas no campo.

Ho, ho.

A luz foi ao óleo

E disse: precisamos nos conhecer bem

Conhecer bem, apreciar bem.

O óleo apreciou

O óleo foi com a luz:

Por isso o céu está tão vermelho.

O senhor foi à donzela

E disse: precisamos nos conhecer bem

Conhecer bem, apreciar bem.

A donzela apreciou

A donzela foi com o senhor:

Por isso o corpete está tão apertado.

Ho, ho.

Poemas 1913-1956, Bertolt Brecht

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