Nepotismo e camaradagem no GDF

Jornal

O atual governador do Distrito Federal descende de uma numerosa família sergipana que aportou em Brasília desde a fundação da cidade. Rodrigo Rollemberg é o oitavo dos 15 filhos do ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-ministro do STJ Armando Leite Rollemberg. Mas a rede de “proximidade” do governador é mais numerosa. Inclui tios, primos e amigos de infância.

Prometendo novas práticas na política, assim que foi eleito governador Rodrigo Rollemberg importou de Minas e São Paulo, para o primeiro escalão do seu governo, gestores que comprovadamente tornaram piores os serviços públicos por onde passaram. Mas não parou por aí. Ele tratou de nomear parentes e amigos para cargos do chamado segundo escalão: as Empresas Públicas do DF. Para a Caesb, foi nomeado Maurício Luduvice. Para o DER, o irmão de Maurício, Henrique Luduvice. Ambos são primos de Rollemberg!

O apadrinhamento de Rollemberg se estende aos conselhos administrativos das Empresas Públicas. Só para citar alguns exemplos: na Caesb, a filha do presidente do Tribunal de Contas do DF, Renato Rainha, é conselheira; no Conselho de Administração do BrB, foram nomeados o ex-secretário de Finanças, Leonardo Colombini, e o empresário Ricardo Leal. Este último é amigo de infância do governador e um dos doadores de sua campanha ao GDF. Por falar em BrB, o presidente do Banco – Vasco Cunha Gonçalves – é um conhecido ficha suja e foi uma indicação de Ricardo Leal. Vasco Cunha foi diretor do Fundo de Pensão do BrB na era Roriz e deu um prejuízo de cerca de 5 milhões de reais aos trabalhadores do banco.

Aliás, o próprio governador é analista do Senado e usou de influência política para entrar no cargo sem fazer concurso público – a famosa “janela do trem da alegria”. Outros dois irmãos de Rollemberg foram nomeados para o Senado da mesma forma. Curiosamente, o cargo de analista exige curso superior, e Rodrigo Rollemberg só veio a concluir a graduação um ano depois de efetivado, numa manobra da comissão diretora do Senado que tinha como membro um amigo pessoal do seu pai.

A “nova política” e os laços com as velhas estruturas

Um dos maiores “estranhamentos” da atual presidente da CLDF, Celina Leão (PDT), com o governador foi a manutenção da maior parte dos indicados políticos do PT no atual governo. Só pra lembrar, a campanha de Rollemberg teve como principais apoiadores políticos o PSD, de Rogério Rosso, e o PDT, de Cristovam Buarque e Reguffe, políticos conhecidos de longa data no DF e que prometiam romper com a “velha política” e inaugurar uma “nova política” que serviria de modelo para o Brasil. Pois bem, parece que o cumprimento dessa promessa esbarra nos laços históricos do grupo que assumiu o poder com as velhas estruturas.

O governo do PSB se dizia técnico, porém manteve mais de 60% dos empregos comissionados, inclusive mantendo em cargos de confiança boa parte do governo anterior. É um governo que realiza práticas tão antigas como as vistas nos outros governos, como licitações direcionadas e apadrinhamentos de parentes. Além disso, o atual governo conta com um aparato de proteção jornalístico que não deixa vazar ou abafa escândalos. Nada disso é novo!

Para saber, um dos irmãos do atual governador é jornalista da TV Senado e tem forte influência no meio, tendo sido por duas vezes presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). No meio político, Armando Sobral foi fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) no Distrito Federal e participou da reorganização do PSB, partido ao qual Rodrigo Rollemberg é filiado desde 1985. Como se pode ver, o atual governador tem fortes laços com o PT e com a velha imprensa burguesa.

Este último fato pôde ser constatado pelas trabalhadoras e trabalhadores caesbianos, através de reportagem tendenciosa feita pela Rede Globo e veiculada no DFTV, segunda edição, de 26/08/2015. A reportagem tenta criminalizar um movimento legítimo de forma deslavada – como já fez antes aqui no DF com os metroviários – acusando a Direção do Sindicato de bloquear o acesso dos trabalhadores a Sede. Todos nós sabemos que, apesar de ter uma liminar da justiça garantindo o direito de fazer as paralizações, o Governador Rollemberg enviou a polícia para a frente dos portões para impedir o convencimento.

Temos que nos perguntar: num governo que usa a polícia para intimidar, que usa a imprensa para incriminar mães e pais de família, que nomeia parentes e amigos para cargos públicos, que pretende usar o dinheiro dos aposentados para pagar as contas de sua incompetência, o que há de novo?

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