Categoria encerra uma longa data-base

Jornal

Em termos salariais, o reajuste proposto contempla apenas a inflação do período 2013-2015. Quanto ao Plano de cargos, haverá uma progressão na tabela salarial em novembro, em compensação pela falta de avaliação em 2014, perfazendo 2 progressões em 2015, uma vez que houve uma promoção por antiguidade em janeiro deste ano. Por outro lado, o ACT congela anuênios e Plano de Cargos no ano de 2016. No mais, garante os direitos conquistados por meio das lutas históricas da categoria, à exceção do horário corrido – que está sendo buscado via judicial.

A categoria incluiu ainda, entre os instrumentos já aprovados para a campanha contra as perseguições de trabalhadores promovidas pela direção da Empresa, a greve, como forma de pressionar a “nova” direção e o governo do DF. Esta deve ser agora uma prioridade da categoria: a defesa contra os ataques promovidos por Oto/Agnelo/Fillipeli e mantidos na gestão dos primos Luduvice/Rollemberg, uma vez que a “nova” direção se recusou a incluir no ACT uma cláusula de não perseguição.

Aliás, não incluiu porque já iniciou processos de perseguição – o que antes atribuía apenas à gestão anterior. Tramita na 21.a Delegacia de Águas Claras processo investigatório envolvendo denúncias caluniosas sobre atos que diretores do Sindágua supostamente teriam praticado durante as paralisações deste ano na Sede da Empresa. E mais: o presidente Maurício Luduvice ameaçou diretamente abrir outro procedimento para “apurar” possíveis ações durante uma paralisação ocorrida no Laboratório Central.

Nunca antes tantos ataques!

Foram mais de 18 meses de uma data-base marcada pela intransigência e pelos ataques às trabalhadoras e aos trabalhadores, fatos que devem ser lembrados para tirarmos lições importantes para o próximo período de lutas.

Os ataques começaram com o endividamento da categoria quando a Empresa “liberou” os empréstimos do PPR e a frustrou com mentiras. Depois, se intensificaram com o início da data-base e as propostas de retiradas de direitos – inclusive da garantia de emprego. Aliado a isso, a diretoria intensificou o trabalho de desmobilização com notas enviadas por email – e impressas para serem entregues ao trabalhador – e a divulgação de boatos e rumores que em pouco tempo mostravam-se mentirosos, espalhados por um séquito de pelegos a seu serviço.

Atacada e desrespeitada, só restou à categoria partir para a greve. Foram 44 dias de uma paralisação responsável, porém marcada pela repressão policial que mais lembrava os tempos da ditadura. Enquanto a população da periferia sofria com a insegurança de um governo nulo e ausente, foi mobilizado um efetivo policial tão grande que algumas áreas da Caesb mais pareciam quarteis. Além disso, houve ocupação da Empresa por tropas do Exército, sob o pretexto de garantir a segurança da Copa do Mundo de Futebol, mas com a clara intenção de nos intimidar. Como se fôssemos nós os bandidos!

As trabalhadoras e os trabalhadores não se renderam! Continuaram o enfrentamento de forma digna e responsável. Por fim, sofremos o ataque da Justiça. O Tribunal julgou a greve legal e não abusiva – por todos os elementos apresentados e constatados em visitas-surpresa dos oficiais de Justiça que desmentiram a direção da Caesb –, mas ordenou o fim do movimento. A categoria mostrou força mais uma vez e continuou a luta, sem ceder direitos duramente conquistados.

A direção da Caesb iniciou então um processo de criminalização da luta, visando enfraquecer ainda mais a categoria. Diversos trabalhadores e trabalhadoras foram submetidos a processos administrativos vexatórios e várias ações e denúncias foram feitas para persegui-los.

“Nova” gestão e velhas práticas

Com a saída do governo petista e a entrada do governo da “nova” política, alguns trabalhadores imaginaram que o tratamento seria outro. Foi uma frustração! O governador Rollemberg/PSB e seu primo Luduvice não só não cumpriram as promessas de campanha – de respeitar e valorizar os caesbianos – como continuaram com a estratégia de não negociar e tentar retirar direitos. Além disso, deram continuidade à política de perseguição iniciada na gestão anterior. Por outro lado, pagaram empreiteiros em dia e fizeram muitos contratos, inclusive com aditivos. Isto deixa a lição de que não adianta apostar na via eleitoral ou que o “de casa” vai fazer uma gestão priorizando a classe de onde saiu.

A categoria guerreira novamente respondeu à altura! Foram meses de mobilização e lutas, com paralisações e participação massiva dos trabalhadores. Por fim, conseguimos a manutenção dos nossos direitos.

Melhorar a organização para as próximas lutas

É importante lembrar que não esses ataques não atingiram apenas a categoria caesbiana. Várias outras categorias sofreram e sofrem ataques neste momento de “ajustes” para bancar os lucros do capital, a corrupção e a incompetência dos governantes. Por isso, precisamos nos entender como classe. O ataque que sofrem hoje 32 categorias no DF ou os ataques que sofrem diariamente os trabalhadores terceirizados é um ataque às nossas famílias.

Das muitas lições que esta data-base nos permite tirar, talvez a mais importante seja a necessidade de nos organizarmos como uma só classe. Mas lembremos que essa é uma tarefa de todos nós trabalhadores, e que não pode ser realizada pelos partidos políticos, centrais sindicais e pela maioria das direções sindicais que aí estão.

SEM RETROCESSO!

UNIDOS SOMOS MAIS FORTES!

 

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