O momento é de UNIÃO e MOBILIZAÇÃO

Boletim

Neste difícil momento de intensificação de ataque do capital que não atinge somente nossa categoria, a união é fundamental. O Sindicato é um instrumento de luta das trabalhadoras e dos trabalhadores, mas não os substitui. Não é o Sindicato que luta pela categoria, mas com a categoria. Se cada trabalhador não tomar para si a responsabilidade de colaborar com a luta, pela nossa categoria, não conseguiremos grande coisas.

Não nos enganemos: a Empresa e o governo pensam a longo prazo. Se o objetivo deles é reduzir custo com pessoal, para abrir  o capital da Caesb ou privatizar com PPPs, isso não será feito de uma vez. Será aos poucos – usando a crise como desculpa hoje, outra justificativa amanhã, e assim até o objetivo final.

Foi resistindo que nos mantivemos até hoje e arrancamos vagas para os novos concursados . E será lutando e resistindo que continuaremos vencendo.

Diretoria da Empresa mantém intransigência

Em reunião da Data-Base 2016 ocorrida no dia 13/04, a comissão patronal recusou-se mais uma vez a negociar as reivindicações aprovadas pela categoria, não alterando nem mesmo a indecente proposta de 2,5% em algumas das cláusulas financeiras. A diretoria alega que a Empresa está no vermelho e resolverá isso reduzindo em termos reais os salários e benefícios das trabalhadoras e dos trabalhadores. Ou seja, pede mais uma vez que estes se sacrifiquem.

Importante destacar que a Receita Operacional Total da Companhia aumentou: R$ 1,44 bilhões em 2014 para R$ 1,67 bilhões em 2015. Enquanto isso, a Despesa de Pessoal passou de R$ 590 milhões para R$ 597 milhões nesse mesmo período. De fato, se não fosse o prejuízo da Fundiágua, a Despesa de Pessoal teria caído, em razão da falta de reajuste inflacionário em nossos salários e benefícios. Assim, a relação da Despesa de Pessoal sobre a Receita Operacional Total foi de 35,7% em 2015.

A Caesb tem usado de intransigência e truculência para reduzir despesa de pessoal em datas-bases e assim gerar sua “economia”. Estão jogando na conta do trabalhador as ingerências políticas e a má gestão na Companhia. Não podemos deixar isso continuar. Os 2,5%, sem nem haver conversa em relação às outras cláusulas, não são o “possível” da Empresa: são a estratégia dela. Assim como a continuidade das perseguições a mais de 100 trabalhadores. Estratégia esta que visa, usando o medo, impor a retirada de conquistas da categoria.

Para dar à diretoria uma resposta à altura, precisamos da mobilização de todos! Como dissemos na primeira assembleia geral deste ano, “o suor e a presença de cada um farão toda a diferença”.

Mantivemos nossos empregos e melhorias até hoje por meio da luta. E na luta nos manteremos até que nossas demandas sejam atendidas! Por fim, repudiamos a postura da direção da Empresa de não assumir a responsabilidade pela produção de dados manipulados, na tentativa de jogar os trabalhadores contra o Sindicato.


TODOS À ASSEMBLEIA GERAL

Dia: 26/04 (TERÇA-FEIRA)  –  Horário: 8h30  –  Local: Sede


 

O discurso da unidade e a prática da culpabilização dos trabalhadores

Há um ditado que diz que no papel cabe tudo. No discurso também. Falando, podemos moldar a realidade como queremos. A retórica é uma das artes mais antigas do mundo. 

Pois bem. Quando vemos o discurso da Empresa, por um momento nos questionamos: será que nós, caesbianos, estamos de fato gerando mal estar na Companhia, querendo coisas demais, inventando conflitos desnecessários? Isso porque, de acordo com a Caesb, ela sempre deseja a união de todos por um bem comum: o interesse dela é sempre universal. E apenas com a discussão "civilizada" podemos chegar a pontos consensuais e sensatos – isso se o outro lado também quiser, é claro.

Parece que a categoria luta porque "gosta", cria divisões pelo bel prazer! Que tira necessidades da cartola! 

Mas vamos aos fatos. Saindo da confortável sala de negociações, o que se vê? A Empresa está de fato respeitando os trabalhadores e buscando a união de todos?

Quem está se engajando em criminalizar e punir guerreiras e guerreiros grevistas de 2014? Quem se nega a abrir mão das perseguições e de fato "evoluir", passar da queda de braço para o consenso? 

Quem acha um exagero reivindicações emergenciais e imediatas, levantadas e votadas por trabalhadores em mais de 20 setoriais e em assembleia geral? Quem desconsidera o clamor da categoria por maior participação nas decisões e fiscalização da Empresa?

Quem está mexendo em direitos de setores da Caesb, de forma aparentemente desarticulada, mas que passo a passo tem retirado muitos ganhos da categoria? Quem, em nome da "gestão", trata de tirar as seis horas de uns, a escala de outros?

Quem bate no peito para dizer que está pagando os fornecedores em dia, porém retira de mesa qualquer proposta de retroativo? Quem propõe reajuste do salário abaixo da inflação e ainda se nega a reajustar as gratificações dos gestores? 

Todo político habilidoso consegue uma façanha incrível: culpar o outro por uma prática que ele faz!

Sob os gritos de unidade do inimigo, as maiores divisões são feitas!

A História nos respalda!

A Caesb tem feito uma chantagem para não conceder a reposição inflacionária de nossos salários nem atender as demandas emergenciais da categoria: ou aceitamos uma reposição insuficiente e nos calamos sobre os demais iten da pauta, ou tudo de ruim acontecerá – a Empresa ficará desequilibrada, incentivará o governo a privatizá-la, e assim teremos à nossa porta mais arrocho salarial, desemprego etc. 

Quer dizer, lutar supostamente só nos trará coisas ruins!

Os mais antigos sabem que a experiência mostra o contrário: foi lutando, apesar de a Empresa amedrontar e ameaçar, que nossas vidas melhoraram e mantivemos a Caesb pública. A retomada de concurso foi uma das principais pautas de luta da categoria. E hoje tem conseguido se renovar e barrar a queda do número de funcionários.

Outras categorias também confirmam essa verdade: os Correios e o Banco do Brasil, por exemplo, anos atrás usaram o mesmo argumento que a Caesb. Os sindicatos e suas categorias “aceitaram” que a culpa era deles e cederam. Qual foi o resultado? Ao longo dos anos, demissões em massa, desmonte de direitos, mais terceirização, mais precarização. O nome ficou “público”, mas praticamente só o nome, porque os trabalhadores ficaram tão fragilizados e atacados como na maioria do setor privado. São algumas das categorias mais adoecidas!

Na política existe uma tática suja que consiste em acusar o seu rival de querer fazer aquilo que você já faz. É o que essa Caesb eficiente às custas dos trabalhadores está fazendo.

Caesb gastou R$ 1,7 milhão com publicidade em 2015. neste ano já foram R$ 300 mil

Em 2015, a Empresa registrou R$ 1.680.527,30 em gastos com publicidade. Cerca de 90% do valor foi gasto com a Agência Plá de Comunicação e Eventos (Contrato n.º 8455/2014, R$ 2,5 milhões por ano). Apenas nos primeiros três meses de 2016, já foram gastos cerca de R$ 300 mil; novamente, a maior parte do valor (mais de 80%) foi destinado à Agência Plá de Comunicação e Eventos, investigada pela Polícia Federal.

Segundo a PF, essa agência firmou vários contratos no GDF e tem como sócio oculto o policial Marcello Lopes, homem de confiança de Cláudio Monteiro (ex-chefe de gabinete do ex-governador Agnelo Queiroz e ex-secretário Extraordinário da Copa e da Secretária de Turismo). Cláudio Monteiro levou Marcello Lopes para o alto escalão do governo como comissionado. Marcello Lopes esteve envolvido na Operação Monte Carlo, a qual investigou Carlinhos Cachoeira.

Em abril de 2015, a “nova” direção da Caesb poderia ter encerrado o contrato com a Agência Plá de Comunicação, mas preferiu fazer um Termo Aditivo para mais um ano de contrato, no valor de R$2.500.000,00.

Para aumentar o absurdo de uma empresa que se diz em dificuldade, o Plano Anual de Publicidade e Propaganda de 2016 prevê crescimento de mais de 150% em relação ao ano passado: R$ 4.225.000,00, sendo que R$ 1.500.000,00 nem sabem onde vão gastar – consta: “A definir”.

PLP 257/2016: o risco continua e a resistência já começou

Continua em tramitação na Câmara, apesar da pressão do funcionalismo público de todo o País, o famigerado PLP 257/2016. Trata-se do projeto que visa refinanciar as dívidas dos Estados e municípios com a União por meio do arrocho a seus servidores e possíveis privatizações de empresas públicas.

Várias organizações e estudiosos de todo o Brasil têm demonstrado preocupação com o projeto. Há alguns dias foi a vez do Dieese, em sua Nota Técnica 158 – O Projeto de Lei Complementar 257/2016 e os Trabalhadores no Serviço Público. Especificamente em relação às empresas públicas, a nota diz: 

“... pode-se pensar que processos de privatização de empresas estatais [previstos no projeto] serão acompanhados de prévio enxugamento dos quadros de pessoal visando à venda, bem como de perdas de direitos após a transferência para controladores privados, a exemplo do que ocorreu em larga escala no passado.”

Isso lembra os últimos meses na Caesb? E esta negociação, em especial??? A defesa de nossas conquistas aqui e agora é a forma concreta para barrar essas políticas em nível macro!

 

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