Reunião com o GDF demonstra que, apesar da política de arrocho, Caesb pode melhorar proposta

Boletim

Após duas semanas de greve, a direção da Caesb insiste em sua política de arrocho: a estratégia é que as trabalhadoras e os trabalhadores paguem as dívidas da Empresa com a redução dos salários, aceitando uma proposta abaixo da inflação.

Está claro que, mais uma vez, o presidente da Caesb, Maurício Luduvice, mente à categoria, pois o GDF afirmou, em reunião com o Sindicato, que a política de reajuste zero não é para empresas independentes como a Caesb, o que significa que as demais categorias poderão ter reajustes igual ou maior que a inflação. 

 A greve está forte, com boa adesão, mesmo diante da truculência e das ameaças da Empresa. A tentativa de coagir os trabalhadores terceirizados para avançarem sobre os piquetes fracassou. E a categoria segue em luta, mostrando sua força e indignação com essa política de arrocho. 

O presidente tenta se colocar como figura ética e responsável com as contas da Companhia, mas a verdade é que esse discurso tem por objetivo impor derrotas aos trabalhadores e fazer com que na Caesb não somente se pense privado, mas se atue como no setor privado! A tão falada crise é mais um motivo para defendermos nosso salário – é na crise que a inflação nos atinge em cheio! Não podemos aceitar pagar a conta de uma crise que não é nossa!  Lutar, manter e conquistar!

Greve e ações da categoria levaram à reunião com o GDF

Na última quarta-feira, 25/05, a diretoria do Sindicato reuniu-se com o GDF, em resultado de protesto realizado pela categoria durante a inauguração do Restaurante do Sol Nascente, em Ceilândia. Os caesbianos levaram faixas, fizeram apitaço, panfletagem e falas no carro de som denunciando o descaso e a truculência por parte da direção da Caesb, além de cobrar as promessas do governador. Os trabalhadores pediram que haja negociação e ressaltaram a questão do reajuste da água, da Tarifa Social e o sucateamento da Empresa. 

O subsecretário de Relações do Trabalho, Márcio Gimene, disse que a política de reajuste zero é para as empresas dependentes de recursos do Distrito Federal – como Emater, Novacap e Metrô –, em razão dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Já para as empresas independentes, o governo acompanha mais o fim das negociações e considera valores acima de zero como avanço, casos da Caesb, CEB, BRB e Terracap. 

O GDF afirmou que atuaria nos canais de diálogo com a Empresa e o Sindicato, para que haja negociação. Nossa luta agora é também para que o governo não limpe as mãos diante dos ataques que estamos sofrendo; afinal, o presidente está na Companhia por indicação do governador e não aceitaremos um jogo de empurra. Governo e Empresa têm que ser responsabilizados e garantir negociações que nos garantam ao menos a reposição da inflação.

Sr. Rodrigo Rollemberg e Sr, Maurício Luduvice: atacar nosso salário não é solução para crise nenhuma!

MANIFESTO DA OPERAÇÃO DA ETE SOBRADINHO À VISITA DO SR. CARLOS EDUARDO (POE)

A respeito dos comentários tecidos pelo sr. Carlos Eduardo “Rei da sucata” à nossa unidade: nós, os operadores, somos conhecedores, sim, da situação vivida na ETE Sobradinho. Não somos irresponsáveis ao ponto de colocar nossas petições à frente de nossa obrigação com a sociedade e com o meio ambiente. Temos a consciência de que há anos lutamos para exercer nossa função de forma exemplar, mesmo em condições precárias de trabalho. O fato é que, dia após dia, criamos soluções para melhorar nosso desempenho, mesmo que a Empresa não nos favoreça para tal exercício.

Nosso comportamento neste período de exceção, que é a greve, não é o “cúmulo do absurdo”. É, sim, a forma que encontramos para pressionar a diretoria da Empresa a negociar. Tudo o que está sendo feito na Estação sempre foi de conhecimento tanto do Sindicato, quanto da nossa chefia imediata; mas esta mesma chefia, ao invés de entregar seus cargos e se unir à operação para um enfrentamento mais robusto à diretoria, prefere nos pressionar. 

Imaginamos como seria se nossos supervisores, coordenadores, gerentes e superintendentes assim fizessem, porém é mais cômodo pressionar subordinados, ao invés de superiores. Não somos “arbitrários, imorais nem ilegais”, somos trabalhadores. Temos certeza de que o “local onde ganhamos o nosso pão é sagrado”. Nossa Estação não está “abandonada” nem o nosso sistema em “colapso”. 

Permanecemos em luta por salários dignos e boas condições de trabalho, por investimentos em todas as áreas da Empresa e não somente naquelas que atendem um público de melhor renda. Estamos em luta, também, para ver atendidas as melhorias em nossa ETE fora do período de greve. Estamos em luta para não ter nossa voz e opinião ignoradas por aqueles que só vêm à ETE a passeio. Estamos em luta para não ouvirmos que “os que usam uniformes não podem dar palpites”, pois como bem disse o Sr. Carlos Eduardo: “Se há alguém que conhece a estação, são vocês.”

E finalizamos este manifesto esperançosos de que nossas petições sejam atendidas e que possamos entregar um trabalho digno à população, pois é esta quem paga nossos salários, e não uma diretoria que nos ameaça com processos administrativos.

OPERADORES(AS) DA ETE SOBRADINHO

 

Diretor do Sindágua é agredido por chefe

Não vamos aceitar inversão da culpa! Punição do culpado já!!!

No dia 20/05, o superintendente de Manutenção Industrial da Caesb, André Luiz de Pádua Pereira, agrediu verbalmente e fisicamente, com soco, escoriação no braço e tapa no rosto, o diretor do Sindicato Paulo César Bessa Cesário, que tentava pacificamente convencê-lo a aderir ao movimento de Greve deliberado democraticamente pela assembleia geral dos trabalhadores realizada no dia 12/05.

O deplorável fato ocorreu por volta das 16h, horário próximo ao final de expediente e com poucas pessoas presentes, circunstâncias que sugerem fortemente uma ação de provocação para tentar prejudicar a greve da categoria, o que, felizmente, não aconteceu. Apesar de ser incitado com um tapa no rosto a reagir, o diretor Paulo César foi contido e convencido pelos demais membros do piquete a não revidar. Assim, André Luiz não sofreu nenhjuma agressão, conforme seu próprio depoimento à polícia (Ocorrência 1796/2016-1). Já o diretor Paulo César denunciou a lesão corporal sofrida, acompanhado de três testemunhas, e fez exame no IML.

Repudiamos a violência por parte da direção da Caesb e a tentativa de criar fatos para prejudicar nosso movimento, assim como o presidente fez ao dizer na TV que recebemos aumento de 17% quando, na verdade, só tivemos a correção das perdas inflacionárias pelos quase três anos de salários congelados (maio/2013 a setembro/2015).

Ao falar do assunto, os diretores da Caesb ora afirmam que foi um ato individual e isolado, ora fazem um discurso agressivo e absurdo de inverter a culpa e acusar o diretor Paulo César. Se as câmeras da Caesb curiosamente não registraram o fato, as fotos que foram entregues à diretoria do Sindicato não deixam dúvidas: o único agredido foi Paulo César, e se foi um ato isolado e impensado do sr, André Luiz, este deve ser responsabilizado e punido; caso contrário, demonstra que a direção da Caesb compactua e é responsável por essa agressão.

Esperamos que o caso seja apurado com a devida seriedade e justiça. Os advogados do Sindicato acompanharão o processo, evitando assim que tal provocação se repita nos movimentos legítimos da categoria.

A agressão da chefia a um diretor do Sindicato que está cumprindo a decisão da categoria é uma agressão a todos nós. Por isso, a resposta precisa ser coletiva – ocupando os piquetes, que são os espaços nos quais a categoria manifesta suas decisões, e não deixando a brutalidade da Empresa manchá-los.

Nós vos pedimos com insistência:

Nunca digam – Isso é natural –

diante dos acontecimentos de cada dia.

Numa época em que reina a confusão,

em que escorre o sangue,

em que se ordena a desordem,

em que o arbítrio tem força de lei,

em que a humanidade se desumaniza....

Não digam nunca – Isso é natural!

Para que nada passe a ser imutável. 

(Bertold Brecht)

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