Caesb apresenta a mesma proposta pela terceira vez... A categoria rejeita!

Boletim

Na última quinta-feira (7/05), no Parque de Serviços do SIA, em assembleia com cerca de 1.000 pessoas, as trabalhadoras e os trabalhadores rejeitaram novamente a contraproposta repetida da Caesb. O conteúdo da proposta era basicamente o mesmo daquela apresentada na semana anterior. A única alteração era a forma de aplicação do índice de reajuste: 8% na assinatura do Acordo e o restante (cerca de 6,5%) dividido em duas parcelas, uma em outubro e outra em dezembro de 2015.

Apesar da chantagem descarada da Caesb em seus comunicados – chegando ao ponto de sugerir que fechemos logo um acordo rebaixado, pois o reajuste de 8% só seria aplicado a partir do mês da assinatura do ACT –, a categoria entendeu, de forma esmagadora, que a proposta é inaceitável! Estamos há 24 meses sem reajuste salarial, porém não estamos dispostos a entregar direitos duramente conquistados para que empresários tenham mais espaço para lucrar com a Caesb.

Dessa forma, a categoria decidiu rejeitar a proposta e retornar à mesa de negociação. Decidiu também realizar paralisações e atos de indignação contra os desmandos da “nova” direção da Caesb.

A luta pelo horário corrido continua

Apesar das inúmeras tentativas de diálogo por parte da diretoria do Sindágua-DF com a diretoria da Caesb, buscando resolver a questão do cumprimento do ACT atual em relação ao horário corrido, por ato intempestivo, truculento e unilateral, a Empresa ordenou aos trabalhadores em regime de seis horas – por meio de comunicado via e-mail enviado em 29/04/2015 e ratificado em 05/05/2015 – que passassem a cumprir, a partir do dia 1.º/05/2015, 8 horas por dia.

O presidente da Caesb agiu como um caudilho que, mesmo com uma decisão judicial em contrário, descumpriu o Acordo, em nome de opinião particular e do uso de índices de desempenho empresarial que nada têm a ver com o horário corrido e sim com a gestão. Nem mesmo os alertas do Sindicato e de nossos advogados quanto aos riscos em que está colocando a Empresa por conta de atitudes arbitrárias e fora de suas atribuições foram capazes de demover o presidente de seu autoritarismo!

Sendo assim, em assembleia geral realizada no dia 30/04, a categoria decidiu não desobedecer a essa ordem, na medida do possível, e buscar seu direito na Justiça. Deste modo, o Sindágua-DF orienta A TODOS os trabalhadores que tiveram mudança do horário corrido para o regime de oito horas diárias, por ordem da Caesb, que dirijam-se o quanto antes ao Sindicato munidos dos seguintes documentos:

1. Procuração e declarações de hipossuficiência e bancária assinadas (obtidas no Sindicato)

2. CTPS – páginas da foto, qualificação civil e do contrato de trabalho

3. CPF e RG

4. Algum documento com o n.º do PIS/PASEP

5. Três últimos contracheques

6. Frequência do mês de ABRIL

Os trabalhadores e as trabalhadoras continuam na luta pela manutenção e ampliação do horário corrido e exigem do presidente que cumpra o ACT e seja responsável com o dinheiro público! Que respeite as trabalhadoras e os trabalhadores e honre com o compromisso que fez de não “quebrar” a Caesb!

PPR é negativa e respeito é zero com a categoria

As trabalhadoras e os trabalhadores da Caesb não só atingiram como ultrapassaram a meta de produtividade em 2014, chegando a 108% do valor a ser alcançado, segundo Relatório de Administração da própria Empresa.

No PPR de abril de 2014, a direção da Empresa à época chegou inclusive a reconhecer o esforço dos trabalhadores, pagando um baixo valor de R$1.500, conforme Boletim n.º 04/2014 da Caesb.

Entretanto, a atual diretoria da Caesb, embora seja ou tenha sido quase toda do quadro, foi ainda mais desrespeitosa e menos transparente, com um PPR zero em abril deste ano. Zero não. Na verdade é negativo, pois ameaçam forçar os trabalhadores a devolver parte do valor recebido em outubro de 2014.

A direção da Empresa já lançou cinco boletins para convencer a categoria a entregar seus direitos de “mão beijada”, mas em nenhum deles explicou como um PPR pode ser negativo, com a Caesb crescendo sua Receita Líquida em 8% e com recorde de produtividade dos trabalhadores.

Pois bem, dentre os diversos artifícios e contradições apresentados pela Companhia na DRE para zerar (ou negativar) o PPR, destacamos:

1) A Caesb teve um crescimento de 7,75% na Receita (R$ 1,442 bilhões), mas a Arrecadação cresceu menos que a metade disto (3,41%). As razões para esta disparidade são várias. Todas relacionadas com a má gestão. Cabe destacar aqui o crescimento estrondoso de 79% na inadimplência de Órgãos Públicos, que em 2014 chegou a R$ 120 milhões, e a inadimplência de clientes, que chegou a R$ 244 milhões;

2) Perdas com CORUMBÁ IV no valor de 6,3 milhões e perdas comerciais que subiram 183%, chegando aos 59 milhões;

3) Aumento de 11,0% nos serviços de terceiros, que em 2014 ficaram em R$ 259 milhões;

4) Lançamento de despesas com o PDV, que será pago em cinco anos aos trabalhadores, mas que foi lançado todo de uma só vez no montante de R$ 69 milhões em 2014. Um aumento de 183%!

5) Provisionamento de R$ 172 milhões para pagar possíveis perdas com ações judiciais, dos quais foram descontados R$ 54 milhões das contas de 2014. Aqui cabe destacar que, dos valores aprovisionados, R$ 112 milhões são para as ações cíveis, geradas em grande parte por má prestação de serviços das terceirizadas; e que, dos R$ 53 milhões aprovisionados para as questões trabalhistas, R$ 12 milhões são para pagamento de direitos trabalhistas de trabalhadores terceirizados. Isso evidencia a mentira da Caesb em afirmar que as ações dos trabalhadores caesbianos é que estão “quebrando” a Empresa!

6) Por má gestão, admitida descaradamente pela diretoria, a Caesb pagou R$ 6,8 milhões somente em 2014 de multa de mora e correção monetária para a Receita Federal devido a irregularidades no recolhimento do Imposto de Risco Acidente do Trabalho (RAT) de anos anteriores.

7) Aumento de 9% nos salários. Isso mesmo! Aumento salarial, sendo que o reajuste foi zero! Aliás, o custo previdenciário subiu 22% e com o FGTS subiu 11%. Reajustes bem acima do que a Caesb diz que aumentou nos salários.

Mas nem só de notícias ruins vive o DRE de 2014: a Caesb diz que merece destaque o desempenho operacional devido ao acréscimo de 13 mil novas ligações de água (totalizando 615.310 ligações) e de mais de 11 mil novas ligações de esgoto (totalizando 492.868 ligações)...

Não podemos pagar pela má gestão que beneficia empreiteiras, terceirizadas e comissionados. Fizemos nossa parte e merecemos respeito dessa direção truculenta e intransigente que diz que a Caesb está no vermelho, mas se autoconcede, na “canetada”, até 39% de aumento.

SEM RETROCESSO! UNIDOS SOMOS MAIS FORTES!

Mães na luta pelo horário corrido

A diretoria do Sindágua parabeniza e apoia a mobilização das mães trabalhadoras da Caesb pela manutenção da jornada de seis horas. Na assembleia do dia 7/5, a “porta-voz” do movimento falou sobre a iniciativa e recebeu o apoio da categoria.

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